Integrantes do governo e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que medidas econômicas recentes, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, ainda não produziram o impacto esperado na popularidade do chefe do Executivo.
Levantamentos eleitorais e projeções internas frustraram a expectativa de aliados que apostavam em uma melhora mais significativa na imagem do presidente após a decisão de zerar o imposto para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil. Em conversas reservadas, colaboradores afirmam que esperavam índices mais favoráveis a cerca de oito meses das eleições.
A análise dentro do governo é de que ações econômicas ainda não se converteram em vantagem eleitoral concreta para o petista, que buscará um novo mandato no Palácio do Planalto.
Pesquisas recentes também indicam avanço do principal adversário político de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem fortalecido sua posição nas intenções de voto.
Monitoramentos de opinião realizados durante o período do Carnaval — pesquisas rápidas voltadas à identificação de tendências — apontaram maior desgaste da imagem do presidente e crescimento do apoio ao senador.
Dados da pesquisa Quaest divulgada em dezembro mostravam Lula com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Já o levantamento mais recente indica redução da vantagem: 43% para o presidente e 38% para o adversário. O estudo também apontou taxa de desaprovação de 49% ao governo, enquanto 45% aprovam a gestão.
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda começou a impactar os salários pagos em fevereiro, eliminando descontos para trabalhadores formais que recebem até R$ 5 mil mensais e reduzindo a tributação para quem ganha até R$ 7.350. A iniciativa é considerada uma das principais apostas do governo para ampliar apoio eleitoral.
Parte da equipe presidencial, no entanto, avalia que ainda é cedo para medir os efeitos da política. O argumento é que despesas típicas do início do ano — como festas de fim de ano e pagamento de impostos — podem atrasar a percepção de melhora no orçamento das famílias.
Aliados também apontam que a divulgação das ações do governo perdeu ritmo no final do ano passado e deve ser intensificada nos próximos meses. Além disso, eventos como o Carnaval teriam reduzido o espaço do debate político recente.
Setores do governo admitem que, em um ambiente político polarizado, programas sociais e medidas econômicas têm menor impacto sobre eleitores alinhados à oposição, mais mobilizados por temas ligados a valores e costumes.
Apesar das dificuldades, aliados consideram que o presidente segue como favorito, embora sem vantagem confortável. A avaliação predominante é que a disputa eleitoral será equilibrada e marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, com possibilidade de definição já no primeiro turno, caso um dos dois concentre a maioria dos votos válidos.
Por Redação AMCNEWS

