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Geddel Vieira Lima, que já foi ministro e vivenciou o ápice — e o fundo — do poder, atualmente parece atuar com nova intensidade nos bastidores da política da Bahia. Após anos de condenação e reclusão, seu “renascimento político” tem chamado atenção: mais presente, mais incisivo, mais visível.
A presença constante e estratégica
Mesmo sem cargo público destacado, Geddel voltou a se fazer ouvir — seja em entrevistas, articulações partidárias ou posicionamentos públicos. Ele retomou protagonismo, especialmente dentro do Movimento Democrático Brasileiro (MDB-BA) e nas articulações da base governista estadual. Por exemplo, declarou que “não vejo chances de Jaques Wagner ficar de fora da chapa” para 2026, evidenciando que está acompanhando de perto as movimentações políticas que alguns poderiam imaginar ter deixado para trás. Política Livre
Além disso, já opinou de forma aberta sobre alianças partidárias: “Eu estou absolutamente legitimado para opinar. Quem não gostar, não leia, não me acompanhe, não me ouça”, afirmou, sinalizando que há uma nova postura mais agressiva e direta — e que ele devolve o ataque quando se sente atacado.
A influência e o “eco” do passado
É inegável que o passado de Geddel pesa — ele foi condenado a 14 anos e dez meses pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, após a apreensão de mais de R$ 51 milhões em seu apartamento. Mesmo assim, seus contatos, sua rede e sua capacidade de articulação parecem intactos.
Até mesmo o governo estadual, liderado por Jerônimo Rodrigues (PT), em algumas ocasiões teria recorrentemente acionado Geddel como interlocutor para temas sensíveis. Houve menção de que ele estaria atuando no contexto da segurança pública da Bahia, defendendo a gestão do governo frente às críticas. Rede Comunica Brasil Isso demonstra que, para além da condenação, seu peso político não se dissipou completamente — e que seu legado de influência continua a reverberar.
Uma declaração polêmica que exemplifica o momento
Em entrevista recente, ao comentar sobre o cenário eleitoral e alianças partidárias, Geddel declarou:
“De repente, o Republicanos pode vir para a nossa posição (na Bahia). As conversas estão muito embrionárias. Além do mais, as pessoas precisam entender como funciona uma federação.” Política Livre
Essa frase sintetiza bem o atual momento: Geddel não está apenas comentando o jogo — está visivelmente tentando redefinir o tabuleiro ou ao menos reposicionar seu time. Ele mira alianças, articula para 2026, e não se furtou de declarações contundentes.
Por que essa “ressurreição” importa?
- Rede de poder renovada: Mesmo fora de cargo, Geddel consegue manter interlocução com lideranças. Isso amplia o seu poder de influência — às vezes silenciosa, às vezes declarada.
- Cenário eleitoral em curso: Com as eleições de 2026 se aproximando, quem articula cedo tende a ter vantagem. Geddel parece estar aproveitando esse momento para posicionamento.
- Imagem de sobrevivente: Parte do seu fascínio – para bem e para mal – vem do fato de que enfrentou grandes crises, foi derrubado, e agora parece reaparecer com fôlego. Isso dá a ele narrativa e força.
- Relevância estratégica: Mesmo que não seja o nome principal para cargos majoritários, ele aparece como “multiplicador” ou “gatekeeper” de alianças que serão definidas em breve.
- Potencial de risco e controvérsia: Sua presença tão ativa também gera questionamentos éticos, lembrança de seu passado e pode gerar desgaste ou questionamentos públicos.
Em resumo
Geddel Vieira Lima voltou a se movimentar — com convicção, visibilidade e impacto. Ele já não é apenas figura histórica ou “ex-ministro julgado”; ele é um ator que parece disposto a voltar a ter influência real no tabuleiro político baiano. Se as eleições de 2026 forem de fato disputadas com muita movimentação de bastidores, sua presença será um dos capítulos a serem observados.

