
Wikimedia Commons/NASA/MSFC
Ao atingir a marca de 120 kW, o JPL comprova a viabilidade de motores elétricos de alta potência para missões espaciais complexas.
A Nasa testou um novo propulsor de alta potência que pode aproximar a humanidade de uma viagem tripulada a Marte. A tecnologia usa vapor de lítio metálico e aposta em eletricidade para gerar impulso no espaço
O teste ocorreu no Laboratório de Propulsão a Jato, o JPL, no sul da Califórnia, e marcou a primeira ignição desse tipo em anos nos Estados Unidos, com níveis de potência superiores aos de testes anteriores.
Ainda não se trata de um motor pronto para levar astronautas ao Planeta Vermelho. No entanto, o avanço mostra como a exploração espacial começa a depender de sistemas mais eficientes, capazes de empurrar naves por longas distâncias.
Tecnologia mira viagens mais longas pelo espaço
O protótipo testado é um propulsor magnetoplasmadinâmico, conhecido pela sigla MPD. Na prática, ele usa altas correntes elétricas e um campo magnético para acelerar plasma de lítio e gerar empuxo.Durante o experimento, a equipe alcançou até 120 quilowatts de potência. O resultado supera em mais de 25 vezes a potência dos propulsores elétricos usados na missão Psyche, uma das referências atuais da Nasa nessa área.
Por que o lítio entra nessa corrida até MarteA tecnologia elétrica pode usar até 90% menos propelente do que foguetes químicos tradicionais. Por isso, ela aparece como uma alternativa estratégica para missões que precisam carregar equipamentos, suprimentos e sistemas de suporte à vida.
No caso do motor MPD, o lítio metálico vira vapor e depois plasma, sendo acelerado eletromagneticamente. Esse conceito é estudado desde a década de 1960, mas ainda não foi usado em voo operacional.Teste teve calor extremo e pluma vermelhaAo todo, o propulsor passou por cinco ignições.
Em uma delas, o eletrodo central de tungstênio brilhou em branco intenso e passou de 2.800 graus Celsius dentro de uma câmara de vácuo refrigerada a água.A cena também chamou atenção pela pluma vermelha emitida pelo equipamento, resultado do funcionamento do sistema com vapor metálico.
Para os pesquisadores, o teste serviu para confirmar que a estrutura pode suportar condições extremas.Próximo desafio é multiplicar a potênciaNos próximos anos, a meta é levar cada propulsor a níveis entre 500 quilowatts e 1 megawatt.
Para uma missão tripulada a Marte, a estimativa é que o sistema precise de 2 a 4 megawatts, com vários motores operando juntos.Ainda assim, o teste representa um passo importante. Combinado a uma fonte de energia nuclear, um sistema desse tipo poderia reduzir a massa de lançamento e permitir cargas maiores em missões humanas rumo a Marte.

