A jornalista Jéssica Senra voltou a provocar debate sobre o telejornalismo baiano ao criticar o modelo adotado pelos programas exibidos na faixa do meio-dia, tradicionalmente voltados para a cobertura policial.
Em entrevista ao programa Bahia da Gente, da TV ALBA, exibida na última sexta-feira (24), a ex-apresentadora afirmou que o formato, focado quase exclusivamente em casos de violência, foi um dos fatores que contribuíram para seu desgaste profissional e para a decisão de deixar a televisão no fim de 2024.
Embora não tenha citado emissoras ou programas, as declarações fazem referência ao perfil de atrações como Alô Juca, da TV Aratu, e Balanço Geral Bahia, da Record Bahia, líderes de audiência no horário e conhecidos pela ampla cobertura policial.
“Havia um desconforto muito grande. O noticiário alimenta uma Bahia da qual a gente não se orgulha. Eu sentia que não estava levando algo que melhorasse a vida das pessoas. Fiquei presa nesse modo de fazer”, afirmou Jéssica.A jornalista revelou que o primeiro sinal de esgotamento surgiu em 2021, quando enfrentou um princípio de burnout.
Segundo ela, a rotina intensa do jornalismo diário comprometeu sua vida pessoal e a levou a repensar sua carreira. Desde que deixou a TV, reduziu o consumo de telejornais, passou a priorizar a saúde, os estudos e novos projetos, afirmando que hoje consegue observar o cenário da comunicação “de fora”.
Apesar das críticas ao modelo predominante no telejornalismo local, Jéssica disse sentir saudade da televisão e revelou ter recebido convites para retornar às telas, sem confirmar qualquer negociação.
A declaração reacende a discussão sobre os limites da cobertura policial na TV aberta e o equilíbrio entre audiência, interesse público e responsabilidade social na construção da imagem da Bahia.
Fonte: Mais Região

