O senador Jaques Wagner afirmou que o Senado Federal “escorregou na institucionalidade” ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Congresso pode negociar nomes, mas não impor escolhas ao chefe do Executivo.
“A prerrogativa de indicar é do presidente. Uma coisa é negociar, outra coisa é impor”, afirmou Wagner ao comentar a articulação que resultou na derrota de Messias no plenário do Senado.
O parlamentar também criticou a condução política do processo envolvendo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e o senador Rodrigo Pacheco, apontado como nome defendido por parte do Senado para a vaga no STF.
Segundo Wagner, o presidente Lula comentou a possibilidade de reapresentar o nome de Jorge Messias futuramente, embora ainda não exista decisão oficial. Pela regra atual, uma nova indicação do mesmo nome só poderia ser votada em outro período legislativo.
Durante a entrevista, Wagner afirmou ainda que houve articulação política para derrotar o indicado do governo nos dias que antecederam a votação. “Na minha conta, a gente teria de 41 a 43 votos. Acho que houve uma operação nas últimas 48 ou 72 horas para derrotar”, declarou.
O senador também comentou os desdobramentos do chamado caso Banco Master, que envolve investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e políticos ligados ao cenário nacional. Wagner negou qualquer irregularidade em sua relação com o empresário Augusto Lima e afirmou nunca ter tratado de assuntos relacionados ao banco com Vorcaro.
Ao analisar o cenário eleitoral de 2026, o petista disse acreditar que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro pode sofrer desgaste após as recentes revelações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, mas ponderou que o núcleo mais fiel do bolsonarismo deve permanecer apoiando o parlamentar.
Por Redação

