A CPI do Crime Organizado apresentou, nesta terça-feira (24), recurso contra a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen. A medida havia sido autorizada no âmbito das investigações sobre possíveis conexões financeiras ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O fundo Arleen está relacionado à aquisição do resort Tayayá, empreendimento associado ao ministro Dias Toffoli, que teria recebido aportes de cerca de R$ 20 milhões. A decisão de Mendes, tomada na última quinta-feira (19), suspendeu o acesso a dados considerados estratégicos pela comissão.
De acordo com investigações reveladas pela imprensa, o fundo Arleen possuía como único cotista o fundo Leal, cujo principal investidor, entre 2021 e 2025, foi o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Documentos indicam que Zettel passou a integrar a sociedade do resort por meio dessa estrutura financeira.
Antes disso, familiares de Toffoli apareciam como administradores do empreendimento por meio da empresa Maridt. O próprio ministro já reconheceu participação como sócio não declarado na empresa.
No recurso encaminhado ao STF, com cerca de 35 páginas, a CPI argumenta que a escolha do fundo Arleen não foi aleatória, mas baseada em reportagens investigativas e em indícios já levantados durante os trabalhos da comissão.
Segundo o documento, há suspeitas de que o fundo integre uma estrutura financeira possivelmente utilizada para movimentação e ocultação de recursos ilícitos. A CPI defende a necessidade de rastrear a origem, o fluxo e o destino dos valores para esclarecer os fatos.
A comissão também aponta elementos como movimentações financeiras atípicas de alto valor, conexões entre empresas e pessoas investigadas, além do possível uso de mecanismos para dificultar a identificação dos beneficiários finais, incluindo estruturas offshore.
Outro ponto destacado é a eventual ligação indireta com agentes públicos, o que, segundo os parlamentares, reforça a necessidade de aprofundamento das investigações.
Por Redação

